Medicina do Sono e Polissonografia

SAOS: Tratamento Não-Cirúrgico

Descrição do Projeto

apneia 9

 A Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) requer diagnóstico preciso e avaliação individualizada quanto ao tratamento a ser seguido. O sucesso da terapia dependerá do equilíbrio perfeito na abordagem das causas da doença, evitando-se superestimar ou subestimar um ou outro fator predisponente.

É muito comum adotar-se a monoterapia (só CPAP, só AIO, só emagrecimento, etc.), sem a consideração devida dos fatores anatômicos orofaciais e minimizar os parâmetros do IAH (Índice de Apneia/Hipopneia) detectados à polissonografia, desconsiderando-se como o paciente convive diariamente com seu distúrbio do sono. A taxa de abandono e insucesso terapêutico quando o paciente é mal orientado pode ser elevada, fazendo-o perder talvez a única chance de obter a “tão sonhada” melhora clínica.

Tratamento Não-Cirúrgico

Perda de Peso

A perda ponderal deve ser uma prioridade para todas as pessoas que estão com sobrepeso ou obesas e com SAOS. Consumir menor quantidade de calorias diariamente, dar preferência a alimentos saudáveis e realizar exercícios físicos pode ser de difícil execução, porém os resultados vão trazer uma melhora na saúde geral e também na qualidade do sono.

Mudança de Posição

Para alguns pacientes a SAOS ocorre mais frequentemente quando deitados em decúbito dorsal (supino). Isso pode ser confirmado ao exame da Polissonografia e, quando positivo, medidas para evitar tal posição devem ser adotadas. Deve-se também salientar que geralmente só a mudança de posição, como medida isolada, também não promove a melhora clínica esperada.

Aparelho Intra-Oral (AIO)

Este dispositivo odontológico, muito parecido com o aparelho ortodôntico móvel, pode evitar a obstrução das vias aéreas ao posicionar a mandíbula para frente e mover a base da língua anteriormente, ampliar a abertura da área posterior da garganta e promover a melhor passagem do ar, o que traz praticamente a abolição do ronco e redução do índice de apneia-hipopneia.

CPAP (Continuous Positive Airway Pressure)

É o tratamento clínico mais indicado para a SAOS (“padrão ouro”). A maioria das pessoas que usam CPAP encontra alívio imediato dos sintomas e fica satisfeita com a melhora na disposição geral e na concentração diurna. O tratamento consiste em usar uma máscara que recobre o nariz, ou o nariz e a boca, ligados por uma cânula ao aparelho (CPAP) que produz um fluxo de ar, e que será responsável por vencer o colapso das vias aéreas superiores, finalmente chegando aos pulmões e realizar a troca gasosa de oxigênio por gás carbônico. Deve ser usado ao dormir e assim permanecer por uma média de aproximadamente seis horas por noite, para que se tenha o efeito desejado.

Tipos de Máscaras para CPAP

Existem muitos tipos de máscaras, tanto as do tipo “nasal” (adaptam-se sobre à pirâmide nasal), quanto as do tipo “oro-nasal” (adaptam-se à pirâmide nasal e cavidade oral ao mesmo tempo), opção reservada aos pacientes que não se adaptam à máscara nasal. É essencial que a máscara encaixe-se bem à estrutura nasal ou oro-nasal e proporcione uma sensação agradável, sem vazamento de ar. A melhor máscara é a que o paciente sente-se confortável e que lhe dá ânimo para continuar a usá-la toda noite.

Tipos de PAP

CPAP: é o aparelho de pressão positiva mais utilizado. Com ele o nível de pressão demandada para as vias aéreas é o mesmo durante a inalação e a exalação do ar;

BiPAP: é um aparelho de CPAP onde nível de pressão de ar na inalação é maior do que na exalação. O BiPAP pode ser a melhor opção quando os níveis pressóricos do CPAP forem relativamente altos;

AutoCPAP: é um aparelho de CPAP auto-ajustável, “inteligente”, em que as pressões ofertadas variam de acordo com as necessidades, tendo em vista os menores níveis para que sejam eliminados os eventos de apneia e hipopneia.

Funções adicionais

Rampa: esta função permite que o aparelho inicie com uma pressão menor e gradualmente cresça, em curto período de tempo, até que se alcance a pressão prescrita do exame de PSG/Titulação. Os novos usuários têm melhor adaptação com este dispositivo e também começam a dormir mais facilmente;

Alívio de Pressão (“flex”): no início da exalação do ar, uma pequena e rápida redução da pressão traz alívio ao usuário, tornando a respiração mais fácil;

Umidificador: com o CPAP, grande quantidade de ar entra e sai pelo nariz ou pelo nariz e boca ao mesmo tempo, o que pode provocar ressecamento das vias aéreas superiores. A maioria das máquinas de CPAP permite o acoplamento de umidificadores, especialmente importantes em climas áridos e em épocas mais secas.

Aproximadamente dois terços dos usuários que iniciam a terapia acabam concordando que o CPAP é uma boa solução, em longo prazo, para a abordagem da SAOS.

Embora possa haver vários obstáculos ao tratamento da SAOS, a maioria pode ser superada através do trabalho conjunto com um profissional experiente, que determinará quais os procedimentos mais adequados, individualizadamente.

Referência:

“Nonsurgical Treatments” and “Understanding PAP”
Sleep and Health Education Program – Apnea
Division of Sleep Medicine – Harvard Medical School

Detalhes do Projeto

  • Data 23/09/2015
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